Quem sou eu

Luiz Eurico de Melo Neto, nome que me deram à pia batismal.
Logo percebi que os nomes davam sentido às coisas, como quem sopra as brasas adormecidas de uma extinta fogueira.
E ao soprar sobre a brasa das coisas descobri a poesia, espécie de hálito que incendeia a vida.
Escondi-me no meu quarto de filho único, edipiano e tímido, e cometi poemas solitários. Ato quase libidinoso, como ejaculações precoces e adolescentes.
Desses tempos restam cinzas. Queimei-as todas, as palavras, larvas, lavas…
Mas, sobrevivente dos incêndios juvenis, continuo a brincar com fogo e a crepitar sob carvões, como se jovem fosse.
E nesse zine-blogue bissexto, o Eu-lírico, deixarei as novas lavas descerem pelas encostas do velho vulcão.
É só aguardarem….

 

MAIS NOTÍCIA BIOGRÁFICA

Poeta bissexto. Mais bissexto que poeta. Nascido menino-macho pelas mãos de Mãe Alice, parteira, que pegou todos os da minha casa, inclusive meus pais, sendo minha avó paterna, Dona Joaninha, a parteira de confiança dela, que só paria, ela, a parteira, pelas mãos maiêuticas de minha vó. (Mãe Alice hoje nome de rua, no bairro humilde do Pacheco, merecidamente).
No Pacheco, divisa entre Recife e Jaboatão vim ao mundo em 22 de agosto de 1955. Batizado Luiz Eurico de Melo Neto, pelo Padre Pessoa, na Igreja de N. Sra. Do Rosário, em Tejipió. Depois, coisas de adolescente, batizei-me Batista, e li Kardec, Pietro Ubaldi, e por ai vão as sandices…

Vocação:
desde tenra idade, escritor, por teimosia e não por gênio.

Profissão:
serventuário da justiça por necessidade, arquivista do Fórum da Capital (às ordens dos amigos deste blogue).

Ginásio Pernambucano, 1968 a 1973: fugia das aulas e me refugiava na biblioteca que havia no térreo. Motivo: assaltavam-me as musas, atordoavam-me, desconcentravam-me. Altas horas, puxavam-me da cama, febril, esfereográfica em punho.
Ensandeci de vez ao topar com a Ode Triunfal, Pessoa; O Elefante, Drummond; O Enterro*, Bandeira; pronto: desatinei e me danei por esse terreno movediço, a literatura.
Escola Ténica Federal: Telecomunicações, ganhei a vida por 15 anos com isso…abusei-me e decidi ser burocrata, Universidade Rural e depois Tribunal de Justiça.
Faculdade de Letras, 5 períodos. Decepção: não existe a profissão que eu perseguia. Não preciso da gramática, nem da licenciatura, pra escrever. Desisti! Trago tudo nalma. Encravada em mim, a sina, o fado, a profissão que não existe. Sou escritor. E daí?
O mais de mim: meus filhos, uma obra inédita, parte na gaveta, outra nos arquivos do Brocoió, meu PC, lento, mas companheiro véi de guerra.
Apelido: Lula.
No 14º RI, nome de guerra ou de paz: Eurico
Alter ego: Carlinhos do Amparo, poeta olindense, segredo que só revelava a poucos amigos, e agora torno público.

Eurico

* Em tempo: o poema que chamei de O Enterro, de Manuel Bandeira, na verdade é Momento num Café, que agora transcrevo:

Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida.

Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta.

Bandeira, in Estrela da Manhã, 1936

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