A Desnatureza atinge o Arruado

 

 

Nas fotos, o verde do Arruadinho contra o concreto da UFPE

 

Contava-me um aluno da UFPE, turno da noite, que, dia desses, resolveu passar nas turmas da manhã para convocar os alunos para um ato político em que denunciaria a falta de iluminação, como um dos motivos dos assaltos e estupros, dentro do campus Recife. Segundo ele, não houve adesão da grande maioria. Percebeu que alunos da manhã não se preocupam com a iluminação do Campus. E nem estão aí para os que estudam à noite. Empatia zero!

Dizia-me isso, retrucando a minha proposta de criar uma Brigada Ambiental, para defender o resto de área verde que ainda existe no campus, especialmente no Arruado do Engenho Velho, essa comunidade fincada dentro da Universidade, em que resistem algumas famílias, em precárias condições, apesar da tentativa de reintegração de posse, frustrada por acórdão do STJ, em meados de 2007.

Se, como me contou esse aluno, o alunado da manhã não se preocupa com as questões dos colegas da noite, como conseguir ativistas ambientais, dentro do Campus? No máximo, há defensores de cães e gatos. E olhe que são poucos!

Isso até parece uma patologia, uma “desnatureza”, como diz o poeta. E somos desnaturados, mesmo. Somos indiferentes com a mãe-terra. Só lembramos dela nas tragédias, como as de Mariana e Brumadinho. Mas, no nosso cotidiano, fazemos pequenas crueldades com o meio ambiente. Basta olharmos para o nosso Rio Capibaribe. Quantos pneus atolados na lama preta! Quanto lixo, saindo das sarjetas? “Uma coisa que mete medo, essa desnatureza!”

Somos nós, esse lixo. Somos essa necrópole nauseabunda, à beira do rio, de cada rio, por todo o Brasil. Erguemos túmulos ribeirinhos e os batizamos: cidades!

***

Pois bem. Essa semana soube que há uma pessoa derrubando árvores, nos quintais do Arruadinho. A desnatureza, como disse, já chegou em nossa comunidade. Uma falta de consciência sem tamanho!

Mas, como exigir isso, consciência ecológica, dos simplórios moradores do Arruadinho, se ninguém está se lixando para a natureza. Ninguém, inclusive os governantes. Nem o ministro do meio ambiente, (assim, com minúsculas, mesmo!), tem noção de sustentabilidade e coisas do tipo.

A novidade é o auto-licenciamento ambiental, proposto por esse ministro imbecil do novo governo. De onde veio esse asno? Claro que só poderia ser ministro dessa corja que ascendeu ao poder, pelo voto do ódio, o voto do “vamos metralhar a esquerda”; corja que agora já mostra a sua verdadeira cara; protetores dos milicianos do crime organizado do Rio de Janeiro.

Essa desnatureza, gente!, não é só no Arruadinho! Está, infelizmente, desgraçadamente, espalhada por todo o território nacional! O cerne desse novo governo é a morte! Aquele símbolo dos dois indicadores, imitando armas, apontava para toda a nação! Morte da floresta, dos rios, das populações indígenas e quilombolas. Morte e, não, Vida! Mas, se tivermos de morrer, morreremos lutando! A Vida há de resistir e vencer! A Natureza é maior do que a nossa desnatureza!

Valha-nos, o bom Deus, que a luta continua!

 

 

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Sobre Eurico

Escritor e poeta
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