Arruadinho 2019 – a resistência continua!

Não se assustem, mas esse é o Arruadinho. Logo na entrada, foram depositadas essas enormes manilhas, tubos de cimento para a construção de um emissário de esgotos do prédio do Laboratório de Petróleo e Gás, parceria da poderosa Petrobrás com a nossa querida UFPE. O cerco sobre o verde estava só começando. Logo um muro horrível surgiria na paisagem. Elemento estranho e assustador, às margens do caminho colonial da Várzea.

No entanto, nos derradeiros dias do ministro Mendoncinha, eis que surge verba para reformar o Centro de Convenções e construir um monumental estacionamento, para gáudio da carrocracia. E isso bem em cima do sítio arqueológico, com registro no IPHAN.

Eis a cerca que esconde a obra do estacionamento:

No penúltimo dia de 2018, Seu Ademir (Mica) me convidou para dar uma volta pelos quintais do Arruadinho. E ficamos surpresos com o avanço das obras do imenso estacionamento do Centro de Convenções da UFPE, sobre a vegetação nativa.

Quando o foco de uma sociedade é o entretenimento e ela desdenha do meio ambiente, podem esperar o troco da natureza. Esse calor danado no mundo, gente!, vem do desmatamento. Sábio foi o Brennand, pai, que era um defensor, turrão e agressivo, da sua Mata do Segredo. Herdamos dele o verde que resta na Várzea e um manancial escondido dentro da sua reserva. Como podemos estar destruindo a fauna e a flora do que restou do velho Engenho do Meio da Várzea?

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Antropólogos, ambientalistas, educadores, correi! Estamos sendo sitiados pelo concreto armado!
O velho Arruadinho do Engenho do Meio teme por seus saguis, tejus, raposas e preás. Com eles também sofrerão as pessoas, pois somos parte da natureza. Ou não?

O MRP-Arruado inicia o tenebroso ano de 2019, retomando a resistência popular contra o desenvolvimentismo cego e surdo, pela preservação da área verde, do sítio arqueológico e do casario da extinta Usina Meio da Várzea, que resiste ao tempo e ao descaso, desde 1934.

Alguns progressos foram feitos em 2018, não resta dúvida. As escavações para localizar os alicerces do casarão de Fernandes Vieira, um dos donos do engenho, em meados de 1645, trouxeram o LEDUP/UFPE, Laboratório de Educação Patrimonial, com alunos e alunas de Arqueologia, numa interação com os moradores, principalmente com as crianças, que vai dar  bons frutos, nesse 2019.

Mas, não baixaremos a guarda! Embora o diálogo com a Reitoria esteja aberto, mediado pela PROEXC, cuja pro-reitora sempre nos escuta os reclamos, temos de ficar de olho nessas obras. Nosso sonho de revitalizar esse Caminho Colonial da Várzea, que cruza o Arruadinho, ainda está vivo.

A luta continua, apesar do governo de extrema direita que tomou posse ontem. Estamos juntos e vamos de mãos dadas!

 

 

 

 

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Sobre Eurico

Escritor e poeta
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